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  • Extensão em rede: tecer o comum

Cartas dos(as) guardiões(ãs) da Terra e do Céu


O projeto Cartas dos(as) guardiões(ãs) da Terra e do Céu: experiência de escritas originárias das crianças indígenas para o mundo inspira-se na agenda de compromissos proposta pela Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) com uma programação midiática intitulada “Abril Vermelho 2020”, mobilizando articulações em defesa da vida dos povos indígenas em tempos de coronavírus.

Diante do preocupante quadro pandêmico nas comunidades indígenas, a professora Marina Miranda, do campus Paulo Freire (Teixeira de Freitas), resolveu constituir ações para visibilizar estes povos reverberando os seus modo de vida em consonância com a natureza, tecendo reflexões com o mundo e com as próprias aldeias que originalmente tem em seu bem viver os processos sustentáveis da vida, aportando e reverberando as “Ideias para adiar o fim do mundo”(Ailton Krenak, 2019) implicado ao contributo discursivo crítico aos modelos ocidentais em tempo pandêmico do corona vírus.


O projeto visa propor ações para as crianças e adolescentes das aldeias, a partir do mês de comemoração dos povos indígenas, no recém inaugurado site institucional TUPIABÁ: projetos originários, composto de vários projetos de dois grupos de pesquisas NUPEEES-UFSB/GPITI/UFES, tendo como linha de conhecimentos roteiros para se pensar produções de trabalhos com povos de origem: indígenas, quilombolas, povos das águas, populações ribeirinhas, entre outros. Diversas parcerias já se juntaram ao projeto original, que vem sendo bastante divulgado na mídia. Entre elas, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Prefeitura de Santa Maria de Jetibá, Prefeitura de Santa Teresa, TV UNEB/Seabra. Entre as aldeias participantes: Pé do Monte (BA), Pau Brasil (ES), Nova Esperança (ES), e Comboio (ES).


O site foi inaugurado em plena pandemia de Covid-19, distante dos espaços tempos da aldeia, para ser usado como uma ferramenta tecnológica, tendo como objetivo mostrar ao mundo as problemáticas que invadem a aldeia, principalmente sob o ponto de vista das infâncias/juventudes, somado a esta questão conhecer seu modo de existir em consonância com a natureza. A proposta foi planejada em duas etapas: A primeira um processo dialógico aberto de discussão com a sociedade civil por uma escrita-mundo dos participantes compondo cartas escritas para as comunidades indígenas. Estas cartas são produzidas em uma aba do site Tupiabá no ambiente virtual, constituindo polifonias com a participação dialógica de outros interlocutores por meio da plataforma. A segunda etapa será fazer impressão destas cartas para serem encaminhadas para as aldeias para que as nossas interlocutoras – indígenas diretoras das duas envolvidas possam tecer a composição de carta da terra, como resposta ao mundo.


O que se almeja nesta jornada de combate ao coronavírus é refletir a partir das cartas da terra o que as crianças e adolescentes indígenas têm a dizer para o mundo, a partir de suas sabedorias da terra e do céu, como seus guardiões(as). A professora Marina explica que a pandemia é decorrência do processo de devastação ambiental, gerado pela ganância capitalista que, por séculos, desequilibra os ecossistemas planetário. Mediante esta afirmação, ela se questionou sobre como colaborar com as infâncias indígenas para que elas se interconectam com o mundo, inspirando uma cosmovisão planetária de modo originário.


A Escola Indígena está fechada. Neste espaço é que a Educação Indígena diferenciada acontece, quando as crianças e adolescentes, em suas relações de sociabilidade, exercem politicamente a defesa dos seus territórios e fortalecem seus ímpetos para a luta de permanência e seu bem viver na terra. Diante do exposto, Marina se perguntou: como viabilizar a continuidade da existência e resistência destes povos, em tempos pandêmicos, uma vez que este espaço instituído de conhecimento está fechado? Quais são as ideias descritas nas cartas-mundo para adiar o fim do mundo? Estas reflexões serão aprofundadas com a participação da aldeias e os professores pesquisadores envolvidos. Este universo de discussão serão categorizados tanto nos conteúdos da carta-mundo como nos conteúdos das cartas da terra.

A APIB, via agenda de ações do Abril Vermelho, reivindica a participação da população no fortalecimento das lutas dos povos indígenas, convocando a sociedade a refletir acerca de outra possibilidade de genocídio indígena pela Covid-19, associada às invasões diuturnas de madeireiros, garimpeiros e grileiros nos territórios indígenas, disseminando a doença. Para além, a presença destes invasores resultam em ações devastadoras ambientais pela derrubadas das florestas, lançamentos de dejetos nos rios e mares, oriundos dos processos de exploração de minerais, resultando no ecocídio planetário. Como ativista e atuantes no campo indígena a nossa proposta é divulgar um movimento colaborativo em rede visibilizando a Educação Escolar Indígena constituindo variadas atividades interativa/construtiva tendo como dispositivos escritas de cartas para aldeia.

Marina explica que deseja colaborar com as aldeias lançando para o mundo o aporte de conhecimentos das escritas originárias de crianças e professores indígenas. Nesta espiritualidade de conhecimento, propôs escritas de cartas, do mundo para as crianças e das crianças para o mundo, criando uma interlocução em tempo de pandemia. Essa correspondência do mundo para as crianças indígenas, está sendo realizada via correio eletrônico, em uma plataforma oficial na internet projetotupiaba.com.br inaugurada no dia 19 de abril para consagrar como uma ação inspirada no “Abril Vermelho”, como uma legítima homenagem à comemoração da existência e resistência dos povos indígenas do Brasil. Reiterando, projeto Tupiabá encorpa a energia planetária do professor indígena Ailton Krenak incorporando suas “ideias para adiar o fim do mundo”. Neste escopo, solicitamos para pessoas que digam para as crianças indígenas: Quais são as ideias para adiar o fim do mundo? Escreva para aldeia! Escrevendo para aldeia! Esta é a nossa ideia de origem, este é o nosso TUPIABÁ...



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